Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

sertão.

o sertão
não é briga só de mata,
é certame de gente!
não faz frente só às lonjuras, não...
há quem sente aqui
na cidade.
...
e essa gente,
esse sertão,
o sertão urbano,
que por
ser tão seco,
ser tão urbano,
seca não só o verde,
mas o amarelo, o branco e o negro.

René Moraes

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Cartaz:

Eu soube por um cartaz que pregaram em minha cabeça:

“Vende-se ou troca um corpo, cansado de idéias paradas, por algum outro que me faça rever o que d'antes me fazia bem.
Algum corpo que tenha boca suficiente, para que numa refeição a dois, possa mastigar, macerar e engolir todas as diferenças e retornar sem receio a seu companheiro de mesa:
pois se eu te engulo em diferenças, passo a ser só você!
Corpo que detenha em pernas sempre o passo seguinte do caminho dado por meus antepassados...
Corpo que quando ainda da infância tenha desistido de estilingar qualquer pássaro por saber o quanto nos é impressionante a facilidade em se fazer um cascalho e a dificuldade em se gerar um rouxinol.
Consciência, que, sem a menor carga de esforços, traga-me, em pensamentos, palavras sinceras e cordiais. Que o sim seja sempre! Que a verdade sempre seja! Pois neste tempo que este corpo viverá, pede-se muito que do vento de outrora utilizado por poléns seja de agora soprado às boas palavras.
E aos olhos, incomoda-me pouco as cores, nem longas visões distantes, gostaria apenas que pudesse ver o que de mais correto se levasse a evoluir.
Que os músculos sejam movimentos em direção ao que de ajuda puder ser constante. Que eu saiba com certeza que o ser que é me estranho pelo cheiro (faro), me precisa mais do que o rosto costumeiro de espelho:
Espelho social...
Espelho familiar...
Espelho egóico...
Espelho cultural...
Espelho animal...
Espelho...
E que as mãos não se esqueçam de que doar o que não faz falta, é um curto passo até a caridade.
Deseja-se, por fim, uma auto-crítica sincera que me permita ler esse cartaz, e não me sentir ridicularizado pelos demais...
Paga-se qualquer quantia, mas entende-se, caso o dono não queira desfazer-se.
Sabemos bem o quão raro é este modelo de construção...
Grato.”


Eu soube por um cartaz que pregaram em minha cabeça.

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

... são donos do mundo!

"Ele insistiu:
- Mas, como vc faz, menina, para andar descalça por aí, com essa saia simples de verão, bailando as pernas de brincadeira e fazendo frescas caretas para as pessoas?
- Oras, o mundo é meu! - disse ela, com calma e certeza.
E ele, perdendo um pouco a compostura, sugeriu:
- Pode me emprestá-lo, então, um segundo? Gostaria de fazer umas mudanças...
- Sinto muito, mas...não posso. Você não saberá rodá-lo. É complicado rodar o mundo. Sabe, deve-se rodá-lo como um pião, e aposto que você não vê uma peça dessas desde quando era menino.
Ele envergonhou, ela continuou:
- Agora, se descalçar estes sapatos de couro aí, rasgar as pernas da calça qual bermuda, aprender a dançar os joelhos e inflar as bochechas como careta, garanto que o mundo quererá ser seu também!
- Mesmo?
- Com toda certeza!
O rapaz pouco hesitou. Fez a receita ao modo de prece.
Pronto!
Lá estavam os dois a cuidar do mundo!
Hoje, coxeam as pernas, dividem pegadas descalças, emprestam caretas...
são donos do mundo!"

René Moraes

Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

René Moraes

Queria poder pensar com coragem.
Saber pensar com a certeza da sinceridade.
Hoje, encontrei um pai com a sua filha.
O pai era um imbecil,
mas a criança sabia sorrir.
Fiquei feliz pelo futuro do mundo.

Segunda-feira, 16 de Março de 2009

lentes x aquarela



Era saudade o que sentia. Não encarava a si própria, pois não sabia ler-se sem óculos e, agora, foram-lhe afastadas as lentes. Os tais vidros adicionais que acrescentaram cores aos seus esboços de dia; que fixaram traços às suas tentativas de materializar seus sentidos. Ah, esses vidros! Intensificavam o brilho dos sorrisos, evaporando a liquidez dos olhares azuis. Nunca pensara em encontrar lentes tão corretas, às quais se adaptasse a ponto de através delas perceber outro mundo: o seu. Ah, quantos graus lhe trouxeram essas hastes vermelhas! Sem eles tudo se embaça em paisagem monocromática. Sim, é saudade o que sente, carência daquele olhar que melhora esta sua visão deficiente. E ver em aquarela é o peculiar para os que se deixam pulsar pelo amarelo e azul. (Ela)

Por favor, minha querida, não denote tanta atenção a um aparelho de pura correção vulgar, quando a real responsabilidade da visão cabe aos olhos. Você é os olhos. Você-eles cumpre-m o papel de puxar pra si, raios luminosos e expressões radiantes a decodificar-em, mais tarde, em imagens; exemplo: um Homem, uma Mulher ou um Amor.
Todos nós sabemos que para formarmos seu Homem, necessita-se de poucos raios verdes; de fato os raios vermelhos devem ser utilizados em abuso para cobrir-lhe o corpo de pêlos, encharcar-lhe de raios brancos para a pele e apenas um pouco de roxo para as unhas. Pronto! Aí está o código da criação, do Homem que seus olhos entendem. Para os meus compreenderem uma Mulher, deve-se besuntar de raios vermelhos o coração, superar a expectativa do brilho-amarelo no sorriso e nos olhos, uma pintinha aqui, uma pintinha acolá, um azul-tranquilidade na palma das mãos e pronto! meus olhos já vêem minha Mulher.
Agora, caso queira entender o Amor, ahhh, que delícia! pegue então uma tela em branco e misture todas essas cores fugindo de qualquer ordem! abuse de baldes de tintas, misture, misture até pintar o cavalete, até atingir suas roupas, as maçãs do rosto, o colo, tudo!...; ahhh, não há nada mais feliz que uma aquarela desordenada.
Agora entendeu?
Pois não se importe com as lentes, elas corrigem o embaçado, elas arrumam a desordem, elas são tolas o suficiente para acreditar que o risco definido é sinal de certeza... tadinhas... quem só consegue ver beleza na retidão sofre da maior cegueira do mundo; o próprio amor, não se aplica pela retidão...não é mesmo?... tadinhas... (Ele)

Nós

Terça-feira, 10 de Março de 2009

Leitura


Ler um livro é como conversar com alguém que insiste em dizer sempre a mesma coisa.
É!,
E isso me basta!

René Moraes in O Homem do Farol, 2009

Revista E Vamos à Luta

Olá leitores, sou responsável pela seção de artes desta revista trimestal E Vamos à Luta.
É um trabalho de excelente qualidade, espero que gostem.


Amigos,

sem mais delongas, a Revista E Vamos à Luta, em edição pioneira, já está à disposição dos leitores. Se houver interesse em adquirir o exemplar, solicite-o, acessando o endereço eletrônico:

www.revistaevamosaluta.blogspot.com


A Revista E Vamos à Luta é uma publicação oficial da Associação E Vamos à Luta

Conselho Editorial: Dalmo de Abreu Dallari
Eliana dos Santos Alves Nogueira
Jorge Luiz Souto Maior
Maria Victoria Benevides
Roberto Roman da Silva
Sueli Gandolfi Dallari

Entrevista: Jorge Luiz Souto Maior

Articulistas: Eduardo Bianca Bittar
Fábio Konder Comparato
Frei Betto
Maria Clara Bingemer
Maria Luiza Marcilio, entre outros.

Seções: Direitos Humanos
Política
Entrevista
Geral
Artes
Utilidade Pública.

Custo: R$ 10,00 reais.

Páginas: 32